E eu ficava evitando entrar no quarto antes dos meus pais e agora do meu pai somente. Evitava até olhar pra lá quando passava pelo corredor. Toda vez que entrava e sentava na cama sem ela estar lá, pra fazer algum comentário ou brincadeira, doía. Doía mesmo. Tudo parecia surreal.
Tão surreal quanto falar pra alguém que a mamãe tinha morrido. Tem gente que me conhece que até hoje não sabe. Não contei no Facebook. não sai ligando pra ninguém pra contar. As palavras quando saiam da minha boca - e até hoje um mês depois - pareciam doer, e pior, não pareciam mesmo verdade. Então preferi me isolar. Não atendia telefone, não respondia torpedo, nada de rede social. Fiquei aqui, no meu canto, curtindo a minha dor. Não tava afim de ouvir aquelas frases feitas que as pessoas dizem nessas horas e que mesmo sabendo que a pessoa tá bem intencionada você tem vontade de mandar ela se calar.
Meu irmão mais novo ficava dizendo que eu precisava sair de casa, que precisava fazer alguma coisa, que precisava sair do buraco. Que a mamãe nao ia gostar de me ver desse jeito. E nisso ele tinha e tem razão. Sempre penso que se ela pudesse me ver chorando, com dores de cabeça de tanto chorar, ia me dar uma bronca, porque ela era uma mulher forte e que sempre me empurrou pra frente, nunca me deixou cair e me entregar. Cada vez que pensava isso, sentia uma fagulha de esperança que pela minha mãe e pelo que ela sempre me ensinou na vida, eu ia conseguir. Mas em seguida algo já me deixava triste novamente, e assim eu ia.
Uns dias depois, foram buscar as cinzas. Assim que chegaram com aquele pacotinho com o nome dela, desabei a chorar. Como resolver isso na cabeça? Como elaborar que uns dias atrás, minha mãe estava aqui comigo, e hoje, ela estava em pacotinho que pesava 1,3 quilos? É muito confuso, pelo menos pra mim. Meu pai comunicou a gente que gostaria de jogar as cinzas em uma praia que a gente sempre frequentou, e que segundo ele, eles iam para namorar. Nós concordamos. Mas até que fosse combinado um dia pra ir lá, ele colocou as cinzar em cima do armário da sala e disse: vou deixar ela aqui em cima, dominando a casa.
Uns dias depois, foram buscar as cinzas. Assim que chegaram com aquele pacotinho com o nome dela, desabei a chorar. Como resolver isso na cabeça? Como elaborar que uns dias atrás, minha mãe estava aqui comigo, e hoje, ela estava em pacotinho que pesava 1,3 quilos? É muito confuso, pelo menos pra mim. Meu pai comunicou a gente que gostaria de jogar as cinzas em uma praia que a gente sempre frequentou, e que segundo ele, eles iam para namorar. Nós concordamos. Mas até que fosse combinado um dia pra ir lá, ele colocou as cinzar em cima do armário da sala e disse: vou deixar ela aqui em cima, dominando a casa.
Uns 12 dias depois, resolvi sair um pouco. Fui ao homeopata que eu já tinha ido uma vez, fazer florais de Bach. Fui atrás de florais porque eu me sentia precisando de alguma ajuda. Ele me passou o floral e também um remédio natural pra ansiedade e problemas de sono. Comecei a tomar na esperança que me fizesse algum bem. Não queria tomar remédio alopático, não queria dopar a minha dor. Achei que ela devia ser vivida e superada, porque se eu a dopasse, podia voltar lá na frente de forma pior.
Nesse mesmo dia meu irmão resolveu que mesmo sem clima ia fazer o aniversário de seis anos do meu sobrinho e pediu pra que eu o ajudasse a organizar tudo e assim tirar meu foco do sofrimento e tentar pensar em coisas mais alegres. E eu topei.
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